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Aumenta desistência no pagamento de imóvel na planta

Publicado em 30/08/2014 Editoria: Economia sem comentários Comente! Imprimir


Além de atrasos nas obras, mutuários têm enfrentado dificuldades para fazer o financiamento do imóvel adquirido na planta entre 2008 e 2011 ser aceito pelo banco.

Ao comprar um imóvel na planta, inicialmente as parcelas são pagas diretamente à construtora. O financiamento com o banco começa apenas quando a unidade é entregue.

Com a desaceleração da economia e o aumento da inflação, os bancos ficaram mais seletivos para oferecer o crédito imobiliário no momento em que as unidades lançadas nos anos de boom do mercado imobiliário são entregues.

As instituições financeiras temem que o nível de endividamento das famílias e o risco de perda do emprego não permitam que os compradores consigam pagar as parcelas do financiamento.

Como consequência, as construtoras têm registrado um aumento no volume de contratos cancelados, os chamados distratos. Em algumas delas, o valor total dos distratos chega a ser maior que o dobro do valor observado há três anos.

É o caso da Gafisa. Desde o primeiro trimestre de 2012 até o segundo trimestre deste ano, o valor de contratos cancelados na construtora passou de 51 milhões de reais para 119,9 milhões de reais, um aumento de 135%.

Os números, compilados pela corretora Concórdia, foram retirados dos balanços financeiros de sete empresas com ações negociadas na bolsa de valores que divulgam esse tipo de informação: Brookfield, Direcional, Gafisa, Tenda, MRV, PDG e Rossi. A Cyrela e a Eztec não divulgam estes números.

Entre o segundo trimestre de 2012 e o segundo trimestre deste ano, o valor total de distratos da Direcional aumentou 94,67%, e passou de 45,1 milhões de reais para 87 milhões de reais.

Na MRV, o valor do distrato aumentou 77,21% entre o primeiro trimestre do ano passado e o segundo semestre deste ano, passando de 232,6 milhões de reais para 412,2 milhões de reais.

Na Brookfield, o valor dos contratos cancelados passou de R$ 167 milhões no quarto trimestre de 2011 para R$ 256,4 milhões no segundo trimestre deste ano, um aumento de 53,53%.

A Rossi registrou aumento de 53,15% dos contratos cancelados entre o primeiro trimestre de 2012 e o segundo trimestre deste ano. O valor passou de R$ 171 milhões para R$ 261,9 milhões no período.

O valor dos contratos cancelados na PDG passou de R$ 233 milhões para R$ 275 milhões entre o quarto trimestre de 2012 e o segundo trimestre deste ano, aumento de 18%. .

Entre as sete empresas pesquisadas, apenas a Tenda registrou comportamento inverso nos últimos três anos: o valor dos seus contratos cancelados passou de um nível alto, de R$ 467 milhões de reais no quarto trimestre de 2011, para 117,6 milhões de reais no segundo trimestre deste ano, uma queda de 74,81%.

O aumento do valor dos contratos cancelados podem refletir o aumento dos preços de vendas e a própria alta das vendas. Porém, o volume de vendas vem diminuindo no último ano, o que faz com que a alta seja desproporcional e indique a existência de conflitos.

Ainda que seja calculado o porcentual de contratos cancelados sobre o valor das vendas, o índice de quebra de contratos na MRV, por exemplo, que vinha se mantendo na taxa de 20% das vendas a cada trimestre, subiu para 27% no segundo trimestre deste ano, segundo Daniela Martins, analista da Concórdia.

Recentemente, a construtora passou a ser mais rigorosa ao vender seus imóveis, condicionando a aquisição à aprovação do crédito pelo banco, como forma de controlar o número de contratos que são cancelados na hora da entrega da unidade.

› FONTE: Exame


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