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Foz do Rio São João possui uma beleza singular em meio ao manguezal preservado

Publicado em 27/06/2014 Editoria: Meio Ambiente sem comentários Comente! Imprimir


Claudio Pacheco

Claudio Pacheco

Casimiro de Abreu conta com a ajuda do ‘Mestre Tuti’ para manter o mangue preservado

Nasceu o sol e Mestre Tuti sai em seu barquinho para mais um dia de trabalho. Com uma rede e puxador em mãos, ele aproveita a força da natureza e desce o rio São João junto com a correnteza. No caminho, vai recolhendo sacolas plásticas, garrafas pet, pneus, troncos de madeira, redes de pesca, latinhas de alumínio, fraldas, entre tantos outros resíduos que se acumulam entre a vegetação do manguezal.

Educador ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Casimiro de Abreu, José Otoni Moreira, mais conhecido como Mestre Tuti, diariamente realiza a limpeza no rio São João e seu mangue. São cerca de 1.300 quilos de lixo recolhidos por mês. “Quando comecei a fazer esse trabalho, há cerca de cinco anos, a quantidade de lixo era muito maior”, conta.

Além do barco coletor das margens, com o qual Mestre realiza o trabalho manual, ele mantém um barco ancorado dentro do rio para que pescadores e as pessoas que por ali passam depositem seu lixo na embarcação. O ‘Barquinho do Lixo’ funciona muito bem e vem ajudando na conscientização ambiental.

Quando a maré volta a subir, Mestre retornar para casa com o barco carregado de lixo. Depois de tomar um banho e almoçar, ele faz a separação de todo o material. O que serve, encaminha para a reciclagem. Alguns materiais são reutilizados por ele mesmo para a confecção de artesanato. Já as garrafas pet são aproveitadas para cultivar as mudas de mangue, usadas para ‘remanguezar’ o estuário do São João. Durante esses cinco anos, Mestre já plantou mais de 300 mudas, que são tiradas do próprio mangue.

Um exemplo de respeito à natureza - Natural da cidade de Trairi, no Ceará, Mestre Tuti se apaixonou por Barra de São João, principal distrito de Casimiro de Abreu, onde vive há 15 anos. De família de pescadores, a natureza foi uma grande aliada para sua subsistência e, agora, ele tenta retribuir. A pesca virou lazer, mas a relação de amor e respeito ao meio ambiente permanece. Com um sorriso e entusiasmo contagiante, ele conta como tudo começou. Todos os dias, via um vizinho que jogava duas sacolas de lixo no rio. Até que um dia pegou seu barco e esperou. Assim que as sacolas foram jogadas, Mestre as recolheu e colocou no seu muro para o caminhão de lixo levar. “Pouco depois, essa pessoa me chamou e pediu desculpas. Desde então, nunca mais jogou nada no rio e se tornou um colaborador pela conservação do nosso belo São João”, conta Mestre.

Mestre também realiza um trabalho de educação ambiental em Barra de São João. Mostra para moradores e visitantes os impactos do lixo no meio ambiente e na saúde do homem, a importância da reciclagem e como ela pode gerar renda para muitas famílias, a relação do mangue e a pesca, entre outras lições e práticas sustentáveis que ajudam na construção de um mundo mais saudável. “Hoje a comunidade apoia e reconhece esse trabalho. Moradores e visitantes já não jogam mais lixo no rio e suas margens. Isso é muito gratificante, pois vejo que esse trabalho vem dando resultados. As pessoas estão muito mais conscientes ambientalmente”, falou.

Lições sobre o mangue - O Rio São João nasce na Serra do Sambê e deságua no distrito de Barra de São João, onde forma um estuário com características singulares. Maior rio genuinamente fluminense, ao longo dos seus 120 km o São João corta florestas de Mata Atlântica. Em sua foz, ainda abriga uma área de 5 km² de manguezal, sendo um dos ecossistemas mais bem preservados em todo o estado do Rio.

É nesse encontro do rio com o mar que o mangue se forma. Dessa mistura surge um solo alagado, rico em nutrientes e em matéria orgânica. Mestre ensina que o mangue tem uma grande importância social, econômica e ambiental. “O mangue é um grande berçário natural do mundo”, falou.

Enquanto separa o lixo que recolheu durante a manhã, Mestre vai ensinando um pouco mais sobre o ecossistema. Entre tantos serviços ambientais que presta, o mangue exerce influencia direta na pesca. Para se ter uma ideia, 90% do alimento que o homem retira do mar são produzidos no mangue. Pelo menos dois terços das espécies de peixes exploradas economicamente dependem desses locais, onde encontram abrigo para reprodução, alimentação e desenvolvimento das formas juvenis. Diversas espécies de aves buscam alimento e proteção nas árvores do manguezal, que também é o habitat de variadas espécies de caranguejos. “As pessoas precisam conhecer o mangue e saber de sua importância. Eu espero que a minha mensagem chegue pelo menos a uma pessoa e que ela possa dar continuidade a esse trabalho”, falou.

No curso do rio São João, Mestre segue em seu barquinho limpando, ensinando e conscientizando ...

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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