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Bagunça e falta de transparência marcam a vacinação em Macaé

Publicado em 07/04/2021 Editoria: Geral sem comentários Comente! Imprimir


A falta de transparência no planejamento e na aplicação das vacinas contra a Covid-19 geraram grande repercussão nas redes sociais dos macaenses na semana no “Feriadão”. Após o “Dia D” da vacinação contra a Covid-19, no sábado, dia 27 de março, diversas pessoas foram vacinadas na Casa da Vacina, às 21h, o que gerou muita especulação e dúvidas sobre a prioridade dos imunizados, principalmente nesse horário. Com isso, outras denúncias de vacinação atrasada de idosos acamados também começaram a aparecer nas redes.
O tema ganhou mais uma repercussão na sessão da Câmara Municipal de Macaé, dessa terça-feira, dia 06 de abril. Os vereadores questionaram excedentes de doses da vacina contra a Covid-19 e a imunização em pessoas que não pertencem a grupos prioritários da campanha de vacinação.

O presidente da Câmara, Cesinha (Pros), afirmou ter certeza que essa questão das vacinas aplicadas no sábado retrasado será esclarecida pela Comissão de Saúde, que deverá apresentar números. “Aí vamos ver quem está errado e quem não está. A comissão está buscando esclarecimentos para mostrarmos à população. Esperamos que não tenha acontecido o inesperado. Em breve, teremos os números e a presença da pessoa responsável pela pasta da saúde na Câmara Municipal, para sanar essas dúvidas”, garantiu.

O presidente da Comissão Parlamentar de Saúde da Câmara, vereador Reginaldo do Hospital (Pode), destacou o trabalho transparente da Comissão do Legislativo. “Os resultados, as listagens de vacinados do Hospital da Unimed, como também da Secretaria de Saúde, no dia em que foram vacinados esses excedentes, o meu gabinete disponibilizou para todos os vereadores, tirarem suas próprias conclusões. Infelizmente a gente consegue ver algumas irregularidades. Estamos fazendo um estudo para trazer a essa casa algo mais formal. Contudo, temos visto aí algumas coisas. Vacinaram pessoas que não estão na linha de frente de combate à Covid-19”, revelou.

Para o vereador George Jardim (PSDB), o excedente das doses de vacina deve ser destinado aos guardas municipais de Macaé, que estão atuando nos bloqueios sanitários na cidade. “Os guardas municipais estão na linha de frente do combate à Covid-19. Dois profissionais já faleceram em função da doença. Não dá para entender. Se há excedente de doses, por que não vaciná-los? Para onde foi esse excedente da linha frente que até agora não apareceu?”, questionou George.

O vereador Guto Garcia (PDT), líder do governo na Câmara Municipal, explicou que o excedente não são as vacinas que sobraram. “O secretário de Atenção Básica já divulgou que não teve ninguém de fora do grupo prioritário vacinado. O excedente é para continuar a vacinar o grupo prioritário, o que foi feito no sábado (27), com a vacinação de um grupo de 200 pessoas do Hospital da Unimed e que estão na linha de frente da doença”, informou.

O vereador Amaro Luiz (PRTB) disse que concorda até um certo ponto com o vereador e líder do governo, Guto Garcia (PDT). “As vacinas excedentes têm que ser aplicadas em alguém, que seja da linha de frente do combate à doença. Eu compartilho da mesma opinião dos vereadores George Jardim e Alan Mansur, que vacinem os guardas municipais ou outros servidores que estejam na linha de frente. Concordo que as vacinas possuem regras delineadas pelo Governo Federal, mas as excedentes têm que ser aplicadas o mais rápido possível para que não sejam perdidas”, enfatizou o vereador.

Vereadores cobram planejamento e vacinação
Amaro Luiz também criticou a falta de vacinação no domingo de Páscoa, uma vez que o município recebeu mais doses dos imunizantes na sexta-feira, dia 02. “No sábado, vacinou e no domingo, zero vacina aplicada, com sete mil vacinas estocadas. Então, o caso é ou não é grave? Foram sete mil vacinas só deste último final de semana. E dos anteriores? Mas é bom checar isso para ver se realmente procede. Porque se isso estiver acontecendo, as críticas ao Governo Federal caem por terra. Cobram as vacinas. As vacinas chegam. É bom que nos tragam respostas com relação a isso. Se houve vacinação no domingo, com sete mil doses estocadas”, frisou.

Segundo o vereador Thales Coutinho (Pode), das 9.200 doses enviadas ao município na última semana, as aplicações começaram somente nessa segunda-feira, dia 05. “Ficou esse lapso aí. Estamos convivendo com uma doença que tem matado muita gente. É muito sério a contaminação aqui no município. Então, precisamos cobrar um planejamento da vacina. Chegou, precisa aplicar o quanto antes para começar a imunização das pessoas. Já apresentei essa cobrança aqui, por meio de indicação”, frisou.

Para o vereador George Jardim, a secretária de Saúde de Macaé deve ser convocada à Câmara Municipal para explicar como está sendo o processo de vacinação no município. “Nós somos cobrados nas ruas e nas redes sociais sobre a vacinação e, muitas vezes, não temos o que falar, o que explicar à população. Às vezes, damos suposições. Eu acho que é um momento oportuno para que a Secretária de Saúde de Macaé, Liciane Furtado, seja convocada a comparecer a esta casa para explicar de que forma a vacinação está sendo feita na cidade. Para sanar as nossas dúvidas, como vereadores, e principalmente, da população. Porque estamos sendo cobrados e não temos respostas sobre o processo da vacinação em Macaé?”, pontuou.

Segundo o vereador Guto Garcia, o próprio prefeito Welberth Rezende (Cidadania) se propôs a comparecer à Câmara Municipal para explicar como a vacinação está sendo feita em Macaé.

“Nada mais justo, aguardamos a presença do prefeito, que trará todas as explicações. Até lá, acredito que a Comissão de Saúde já nos terá passado números do que estão apurando. Todos poderão questionar o prefeito na linha de raciocínio de cada um”, ressaltou o vereador Cesinha.

A vereadora Iza Vicente (Rede) ressaltou que protocolou um requerimento na segunda-feira, dia 05, para convocar a presença da Secretária de Saúde de Macaé, Liciane Furtado, à Câmara Municipal. “Com essa informação do líder do governo, em que o próprio prefeito se propõe a vir a esta casa, realmente será muito bom ter o prefeito aqui, explicando cada passo e outras questões que envolvem a pandemia. Mas eu acredito que a secretaria de Saúde existe para dar conta do planejamento técnico de saúde e também dar explicações sobre isso. O prefeito é o chefe do Poder Executivo, mas acredito que também temos que defender a presença da secretária de Saúde, pois é ela que está gerindo a estratégia de vacinação de combate à Covid-19. Temos uma secretária e queremos ouvi-la sobre esses apontamentos. Temos apontados vários questionamentos sobre saúde e temos muitas perguntas a fazer. Então, seria bom se o prefeito trouxesse a secretária para explicar, junto com ele, qual o planejamento de combate à pandemia e para a vacinação na cidade”, reforçou a vereadora.
Iza denuncia: Macaé vacinou pessoas fora da lista prioritária. 

Com a lista da Comissão Parlamentar de Saúde em mãos durante a sessão dessa terça-feira, dia 06, a vereadora Iza Vicente (Rede) afirmou que na lista de vacinados consta profissionais que não estão na linha de frente da Covid-19, como gerente de infraestrutura, pintor e técnicos da tecnologia da informação.

“E os nosso guardas municipais, que estão na linha de frente nos bloqueios sanitários, não foram vacinados. E aí, senhores vereadores, fica muito esquisito falar aqui que estamos seguindo o Plano Nacional de Imunização, enquanto o município de Macaé já vacinou pintor da Unimed. Não tenho conhecimento da estrutura de um hospital, mas sei que no atual momento reparos de pinturas estão suspensos. Pintores não são responsáveis para cuidar de doentes, por medir temperatura na barreira. O que estou falando aqui são respostas de documentos, de ofícios, não é nada da minha cabeça. Isso é muito sério. Na nossa cidade, no mês passado, morreram mais de 80 pessoas vitimas da doença. A vacinação é importantíssima. O prefeito Welberth Rezende falou em uma de suas lives que está pensando em ir a São Lourenço para ver o tratamento precoce. Eu quero que ele pense em buscar vacinas para Macaé. Porque esse é o tratamento que a gente precisa, não só do tratamento precoce, mas da vacina. Aliás, não precisamos de tratamento precoce, precisamos de planejamento antecipado. As doses chegam e não sabem quem irão vacinar. Sobre dose, chama pintor, chama o rapaz do TI. Se alguém explicar qual a pertinência disso, estou aberta a entender. É muito grave o que estamos vivendo, porque há cidades muito maiores e mais complexas que Macaé, como Niterói e Rio de Janeiro, e que já possuem calendário para o mês todo. Mesmo antes da chegada das doses, já organizam quem irão vacinar e a data da aplicação”, alertou.

Segundo a vereadora, o Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, deixa lacunas. “O plano define sim grupo prioritário da saúde, mas é o município que tem que organizar e planejar a idade desse profissional, ver onde ele trabalha. Essa organização e planejamento tem que vir da secretaria de Saúde. Eles informaram que chamaram profissionais que estavam de sobreaviso para receber a vacina excedente. Diversos profissionais da área da saúde me informaram que não receberam nenhum sobreaviso, como dentistas e fisioterapeutas. Só os profissionais da Unimed receberam o sobreaviso?  Qual é o critério? Quem tem a responsabilidade de planejar a vacinação, é a secretaria de Saúde. Isso precisa ser feito de maneira planejada, consciente e eficiente”, destacou Iza.

Ela reforçou o número de pessoas que estão morrendo em Macaé e salientou que é preciso seguir o Plano Nacional de Imunização. “Tem gente morrendo. Gente jovem, pessoas mais velhas. É muito triste tudo isso. O município informa que está seguindo o Plano Nacional de Imunização. Tem que seguir sim. Não estou falando para não seguir e nem estou afirmando que isso aqui que estou apresentando é ilegal. Quem vai decidir isso é a justiça. Mas isso é um desrespeito com a população macaense, que está aguardando a vacinação. Eu acompanho tudo da secretaria de Saúde para entender o que estão fazendo. Eu tenho a boa fé para acreditar, para entender o que estão fazendo, antes de vir aqui para explicar. A prefeitura alega que fica sabendo na véspera as doses que virão para Macaé. Também informaram, em um vídeo, que a cidade está recebendo menos doses que outras cidades. Como que um município tão importante para o estado do Rio de Janeiro, com a população de mais de 200 mil habitantes, está sendo desprivilegiado na vacinação? Como que Niterói já sabe quem será o grupo vacinado? No Rio também, muito maior que Macaé. E nós não temos esse planejamento, dessa expectativa, de quantas doses vão chegar. Como que a dose chega na sexta-feira e só começa a vacinar segunda-feira? Tem que ser mais rápido, tem que ser mais eficiente”, discursou.

Iza destacou que o Legislativo já fez diversas proposições para colaborar com o trabalho do Executivo. “Foram diversas, centenas, apontando que é preciso vacinar o assistente social, tem que vacinar o coveiro, que é linha de frente. Ontem, segunda-feira, foram oito mortes. O coveiro não é linha de frente? Mas o pintor da Unimed é. Qual é o critério? Nós queremos saber. Quando o prefeito vier à casa, que ele traga essas respostas e responsabilize quem foi omisso e negligente e vacinou dessa forma inadequada”, protestou.

A vereadora Iza Vicente questionou o líder do governo, vereador Guto Garcia, que informou que 200 doses foram aplicadas no sábado, em profissionais da Unimed. Mas segundo ela, o que consta na lista apresentada é um número menor: 74 pessoas. “Então, quem são essas outras pessoas? E as outras vacinações que também devem ter tido sobra? Eu nem sabia dessa questão, de que há vacinas sobrando. Vacinou quem? A Câmara Municipal já aprovou uma lei de transparência na vacinação, que precisa informar cargo e lotação dos vacinados. A prefeitura não está cumprindo a lei desta casa. Que se cumpra e lei e traga transparência, para que isso não se repita. Errar é humano, gente, e as instituições são feitas de pessoas, mas a resposta que se dá ao erro diz muito sobre o que o governo quer construir. Espero que essas respostas sejam trazidas. Agradeço a Comissão de Saúde da casa, não podemos ficar calados, a população espera essas respostas. Eu espero de verdade que Macaé apresente um calendário de vacinação, porque isso também consta na lei aprovada nesta casa”, frisou a vereadora.

Iza reforçou que o sistema da prefeitura está errado e que é preciso ter uma estratégia. “Não é para fazer como estão fazendo. A dose chegou hoje e eu vou ligar para quem eu conheço. O que é isso? O bem mais precioso hoje é essa vacina. O dia que demora para aplicar, é mais uma possibilidade da morte chegar. Não quero que isso aconteça com um idoso e com um cidadão macaense. Tem que vacinar e vacinar rápido. Ter estratégia. Eu tenho certeza de que todos os vereadores estão preocupados com isso. A população pode saber que estaremos acompanhando e esperamos que, na semana que vem, o prefeito venha aqui para explicar e não falar, falar... Que ele traga um plano de vacinação, um plano estratégico de combate à pandemia, que inclua também o social e o econômico. É importante termos diálogo sim, mas no final do dia tem que decidir sobre a vida das pessoas, decidir quem vai morrer e quem não vai. Porque é isso que significa enrolar a vacinação, não organizar a vacinação. Eu gosto muito quando o prefeito fala que é do diálogo. Isso é muito bom, mas também precisa ser de ação. A cada dia que passa mais pessoas morrem”, concluiu.

Vacinação de pessoas do grupo não prioritário e demora na imunização de idosos acamados
Pelas redes sociais, na última semana, a suposta vacinação de pessoas que não pertencem ao grupo prioritário da vacinação e a demora de imunizar idosos acamados geraram protestos. Um deles foi uma manifestação da família de um senhor de 75 anos, que preferiu não se identificar. Segundo familiares, eles já tinham feito o cadastro da vacinação logo no início da campanha de imunização, esperava pela vacina. Pelas redes sociais, a família desmentiu informações da prefeitura, que publicou ter vacinado 100% de idosos. No último dia 1º de abril, o senhor de 75 anos, depois da repercussão nas redes sociais, recebeu a imunização, de acordo com familiares. Ao RJ News, a Prefeitura de Macaé, informou por meio de nota, que cerca de 700 idosos acamados foram vacinados pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde, que prossegue com o sistema volante de vacinação. Ainda de acordo com a nota, a vacinação de acamados segue um cronograma distinto do que acontece na modalidade drive-thru e nos postos fixos. A Prefeitura de Macaé explicou ainda que, devido a informações inconsistentes no cadastro dos acamados, as equipes encontram dificuldade na localização do endereço de algumas residências, por isso a vacinação desse público não é feita simultaneamente com a vacinação dos idosos nos polos fixos. Na hora do cadastro, segundo o executivo, é importante inserir as informações corretas, como nome da rua, número do imóvel, bairro e, se possível, um ponto de referência.

O RJ News também perguntou sobre a vacinação de pessoas que não pertencem ao grupo prioritário, que teria sido realizada na última semana. A Prefeitura informou que o programa de vacinação do município prioriza a imunização de idosos e profissionais da saúde e que segue o protocolo de vacinação, respeitando o grupo prioritário, definido pelo Plano Nacional de Imunização.

Ainda segundo a prefeitura, no total, até o momento, 18.918 pessoas foram vacinadas em Macaé com a primeira dose e 5.707 com a segunda dose. Todas do grupo prioritário definido pelo Plano Nacional de Imunização.

› FONTE: RJ NEWS ONLINE (www.rjnewson.com.br)


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