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Livro conta a história da Reserva Biológica União

Publicado em 19/12/2020 Editoria: Meio Ambiente sem comentários Comente! Imprimir


Rebio União tem 7.756,76 hectares e abrange terras de Macaé, Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

Rebio União tem 7.756,76 hectares e abrange terras de Macaé, Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

A história da Reserva Biológica União ganhou uma versão impressa. O livro “Estação da União - Aspectos históricos: Reserva Biológica União”, lançado no início deste mês, começou a ser escrito em 2015 e será distribuído para instituições parceiras e em eventos futuros.

A Reserva Biológica União preserva um importante fragmento de Mata Atlântica de baixada do estado do Rio de Janeiro e é uma das moradas do endêmico e ameaçado mico-leão-dourado, primata símbolo da conservação da natureza no Brasil. Administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Unidade de Conservação tem o objetivo de assegurar a proteção e recuperação da floresta atlântica remanescente e formações associadas, e da fauna típica que delas depende, em especial o mico-leão-dourado. Com área de 7.756,76 hectares (ha) a Reserva Biológica União abrange terras dos municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé.

Foram impressos 750 livros e três mil folders, que foram financiados com recursos do Fundo de Meio Ambiente de Rio das Ostras, gerido pelo Conselho de Meio Ambiente do município.

No livro, a história é contada por aqueles que tiveram a oportunidade de vivenciar a transformação da antiga Fazenda União em Reserva Biológica, que hoje é uma referência na conservação da Mata Atlântica e na preservação do mico-leão-dourado.

A versão digitalizada do livro pode ser acessada pelo link: https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/miolo_rebio_uni%C3%A3o_vd.pdf

Pesquisa na Rebio União revela diversidade na fauna

Desde 2018, uma pesquisa realizada na Reserva Biológica da União já encontrou outras espécies de mamíferos, além do mico-leão-dourado. Coordenada pelo zoólogo e professor do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade NUPEM/UFRJ, professor Pablo Rodrigues Gonçalves, o estudo destaca a presença de diversos mamíferos de pequeno porte na reserva. Segundo ele, são pequenos roedores, como o rato-de-espinho, cuícas e catitas.

Ao RJ News, o zoólogo explicou que a Reserva Biológica da União tem uma importância preciosa para a região, por ser de mata de baixada, além dessas espécies serem raras na área. “O rato-de-espinho Trinomys eliasi é considerado ameaçado de extinção. Ele ocorre somente nas florestas de Mata Atlântica de baixada do Rio de Janeiro e a Rebio é uma delas”, explicou. Além dele, os pesquisadores também encontraram a cuíca Marmosa paraguavana, um marsupial parente próximo do gambá e mais distante do Canguru. Até o momento, segundo o professor Pablo Rodrigues, foram registradas 13 espécies de roedores e marsupiais na Rebio União. “Mas com a continuidade da pesquisa, que devemos terminar em 2022, esperamos aumentar mais essa lista”, salientou.  Além da Rebio União, conforme explicou o zoólogo, essas espécies podem ser encontradas também em outras reservas, como o Poço das Antas, em Silva Jardim, e a Reserva Nacional de Jurubatiba, em Macaé, localizada em áreas baixas, planas, e que também estão ameaçados de extinção.

A ameaça de extinção dessas espécies da Rebio União pode ser atribuída, entre outros fatores, segundo o professor, à existência de dutos para transporte de oléo e gás da Bacia de Campos até Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde está localizada a Refinaria Reduc. São dutos enterrados a dois metros de profundidade no solo da Rebio União e que podem causar sérios impactos à fauna existente da reserva.

“Estes dutos criaram grandes corredores sem árvores, que devem ser mantidos assim para evitar que as raízes das árvores danifiquem as tubulações enterradas. Quando crescem, logo passam roçadeiras, para que árvores e arbustos não se desenvolvam. Nós temos estudado se estes corredores de fato causam algum impacto aos animais da floresta, impedindo-os de atravessar e manter um intercâmbio de indivíduos entre fragmentos florestais. O corredor de 20-30 metros de largura pode parecer estreito para nós, mas representa um obstáculo muito maior para um marsupial ou roedor de 20-30 centímetros de comprimento que vive dentro da floresta”, explicou o zoólogo.

Outro objetivo da pesquisa com animais é entender os comportamentos de animais raros, ameaçados e desconhecidos como o rato-de-espinho. “Utilizando câmeras com sensores de movimento, conseguimos registrar vários momentos interessantes na floresta, especialmente à noite. Já temos registrado o uso de abrigos por famílias de ratos-de-espinho e até mesmo uma cena rara de predação de um lagarto-teiú por um furão. Infelizmente, logo no início da pandemia, as câmeras que usamos foram furtadas, mas pretendemos continuar as pesquisas em 2021”, informou.

A Reserva Biológica da União, ainda segundo o zoólogo, é importante para a região também, porque possui diversas nascentes de água mineral, como em Casimiro de Abreu. “São importantes cachoeiras, nascentes, que alimentam rios de águas límpidas, verdadeiros mananciais. A Rebio União hoje também possui uma excelente estrutura para trabalhar nas pesquisas e com certeza vamos encontrar outras riquezas”, concluiu o professor, que foi estagiário das biólogas Paula Procópio de Oliveira e Cecília Kierulff, em 1997, quando a reserva ainda estava para ser decretada.

› FONTE: RJ NEWS ONLINE (www.rjnewson.com.br)


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