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É proibido morrer na região serrana de Macaé

Publicado em 31/10/2020 Editoria: Geral sem comentários Comente! Imprimir


No cemitério do Óleo, em Glicério, o estado é de total abandono

No cemitério do Óleo, em Glicério, o estado é de total abandono

Os moradores da serra de Macaé não conseguem enterrar seus entes queridos nos cemitérios da região devido à falta de vaga e o velório só é possível ser realizado na localidade, porque igrejas autorizam a família utilizar o espaço, uma vez que não existe capela mortuária na região. A demanda é antiga, mas nunca foi resolvida pelo poder público municipal. A jornalista Thaiany Pieroni ouviu moradores e relata a dificuldade enfrentada por eles. 3

Em pleno feriado de finados uma triste constatação: não há vagas nos cemitérios da Serra de Macaé e também não há capela mortuária na região. Por isso, o momento da perda de um ente querido, que já é bem difícil, fica ainda mais delicado para os moradores da Serra de Macaé.

A moradora Vanessa Christty Gomes Rangel disse que o transtorno começa antes do velório, já que a região não tem nenhuma capela mortuária e é preciso buscar apoio em igrejas. "Realmente enterrar nossos familiares aqui é extremamente estressante. Não existe um local adequado para velar o corpo, todos são feitos em igrejas, o que é proibido por lei", contou o a moradora.

E o problema não é de hoje. Em 2018, durante uma audiência pública realizada pela Câmara Municipal, os moradores já denunciavam a falta de uma capela mortuária. “Nunca fomos atendidos. Recebemos autorização do bispo para velar corpos na igreja, mas a vigilância sanitária pode nos multar e interditar”, disse, na época, o coordenador da pastoral familiar da paróquia matriz Nossa Senhora das Neves, de Córrego do Ouro, Vanderlei Carvalho Machado.

Devido ao perigo do contágio de doenças, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza velórios em locais sem requisitos como salas separadas de espera e vigília, além de local para limpeza e desinfecção de equipamentos e utensílios.

Na hora de enterrar o ente querido, o problema é ainda maior. Vanessa revelou que a questão da falta de vagas nos cemitérios é grave. "Parece que existe um projeto de um memorial para o Frade, que a Prefeitura desapropriou, mas nunca saiu do papel. Isso é uma demanda urgente pra cá, visto que não cabe mais ninguém, ou seja, só tem vaga para quem já possui seus entes já enterrados. Aqui no cemitério de Córrego do Ouro, por exemplo, o acesso é feito por dentro de uma propriedade particular, por uma estrada de barro. Se estiver chovendo, já viu", ressaltou.

Gabriel Freitas, morador de Glicério relatou que só as famílias tradicionais ainda conseguem enterrar seus parentes. "Quem tem túmulo já comprado por familiares mais antigos, ainda tem a vaga para enterrar. Mas, caso acontecer de morrer alguém que a família não tem o jazigo ou que morreu alguém recentemente, aí é necessário procurar outro lugar", frisou o morador.

Gabriel mora em frente ao Cemitério do Óleo e disse que, além disso, o local está totalmente abandonado. "Os funcionários são bons, mas sabemos que eles não possuem condições de trabalho e, com isso, fica tudo abandonado. Tem alguns pontos que o muro está desmoronando, quando chove a água do cemitério escorre para rua e para o rio. Estamos cansados de promessas para mudar essa situação", criticou o morador.

Vale lembrar que no ano passado, o assunto também voltou a ser tema de debate na câmara dos vereadores. Na ocasião, o vereador Luiz Fernando Pessanha (Cidadania) apresentou o Requerimento 457/2019, sugerindo à prefeitura a implantação de uma capela mortuária no prédio da Secretaria do Interior, localizado atrás do Hospital do Trapiche.

O vereador Márcio Barcelos (MDB) apoiou e lembrou. “Recebo muitas solicitações de moradores da Serra que sofrem por não poderem velar e enterrar seus mortos lá onde moram”, afirmou ele, referindo-se à necessidade de as pessoas recorrerem à sede do município. “Pretendo apresentar também uma indicação para que seja construído um cemitério na região”, disse.

Nossa equipe entrou em contato com a Prefeitura de Macaé solicitando respostas sobre o assunto, mas não obteve retorno.

› FONTE: RJ News


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