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Comerciantes devem amargar prejuízo com venda de aparelhos de celular “xing-ling”

Publicado em 25/04/2014 Editoria: Economia sem comentários Comente! Imprimir


Os aparelhos piratas costumam usar IMEIs clonados para enganar as redes das operadoras, e deixarão de funcionar no Brasil por falta de certificação

Os aparelhos piratas costumam usar IMEIs clonados para enganar as redes das operadoras, e deixarão de funcionar no Brasil por falta de certificação

Dezenas de vende­dores ambulantes que comercializam os mais variados tipos de mercadorias impor­tados no espaço reservado para eles, atrás da rodoviária no Centro de Macaé – espaço conhecido como camelódro­mo, e outros espalhados por ruas em Rio das Ostras, em forma de lojas, devem co­meçar a amargar prejuízos. A equipe de reportagem do RJNEWS saiu às ruas e conversou com alguns desses vendedores, que na maioria traba­lha informal­mente, apesar de ter o alvará de licença da pre­feitura.

Um co­merciante que preferiu não ser identificado para preservar sua identidade, assu­miu durante a entre­vista o pseudônimo de ‘o vendedor’. Ele contou que trabalha em uma banca no espaço na Rua Vereador Abreu Lima, próximo à rodo­viária – no Centro, a mais de cinco anos. Preocupado, ele teme queda nas vendas. “O que tenho de mercadoria aqui posso perder tudo de uma hora para outra. Não consigo imaginar ter que passar por esse prejuízo”, contou.

E esse susto, os comer­ciantes que atuam como ca­melôs correm o risco de pas­sar, tudo por conta de uma modalidade que entrará em vigor ainda esse ano. Na ação por imposição da Agência Na­cional de Telecomunicações (Anatel), as operadoras de telefonia brasileiras, farão despencar as vendas de aparelhos celula­res importados, atualmente muito procurados nas bancas dos conhecidos camelôs.

A Anatel informou às ope­radoras que um sistema para identificar e bloquear o uso de celulares não homologados no país a partir deste ano, já está em funcionamento. Na prática, os celulares xing-lin­gs ou de fabricantes que não operam no país deixarão de funcionar no Brasil por falta de certificação.

Seu Trajano Rodrigues, 63 anos trabalha como vigia em uma empresa em Rio das Ostras. Ele é a favor da proi­bição e da venda desses tipos de aparelhos, e conta que já amargou mais de R$ 200 em prejuízo. “Comprei um aparelho de dois chips para mim e outro para mi­nha esposa. Os aparelhos es­tragaram e acabei ficando no prejuízo porque não tiveram conserto. Fui à loja e o funcio­nário me informou que o ser­viço ficaria mais caro que um celular novo”, disse.

Por conta desse tipo de problema que o consumidor acaba sendo lesado, a Anatel enviou às operadoras Oi, TIM, Vivo e Claro um ofício co­brando que celulares não ho­mologados sejam bloqueados em até 12 meses. A agência reguladora é cla­ra quando fala sobre uma solução tec­no­lógica para coibir o uso de estações móveis não certifi­cadas, com IMEI adulterado, clonado ou outras formas de fraude nas redes do SMP.

A sigla IMEI significa “International Mobile Equip­mentIdentity”, e é o número de identificação presente em cada telefone celular. Dentro da identificação consta um código que representa o mo­delo do aparelho, chamado de TAC. Os celulares piratas costumam usar IMEIs clona­dos para enganar as redes das operadoras. Outro que traba­lha com a venda de celular, apesar de ter alvará de licença para atuar no local, comenta que deverá perder em média mais R$ 2 mil por mês. “Se a venda despencar de onde vou tirar o sustendo de minha família e dos meus funcioná­rios”, questionou.

De acordo com a Anatel, as operadoras deverão elabo­rar possíveis critérios transi­tórios a serem implementa­dos à base atual de usuários, de modo a minimizar os im­pactos sobre a população, ou seja, se os xing-lings fo­ram mesmo bloqueados em 2014, progressivamente vão surgir campanhas no Brasil para conscientizar a popula­ção sobre os riscos de utilizar um celular não homologado.

Estima-se que, hoje, de­zenas de milhões de unidades de modelos piratas estejam sendo utilizados no país. O grande problema na decisão da Anatel é que a regra dos celulares piratas pode acabar afetando os dispositivos com­prados no exterior. Modelos de fabricantes como HTC e Asus, por exemplo, dificil­mente chegam a ser lançados no nosso país, o que leva al­guns consumidores a impor­tá-los ou adquirir por meio de revendedoras.

No entanto, se o modelo importado não for homo­logado pela Anatel, ele será considerado ilegal nesta nova medida das operadoras, já que seu IMEI não estará en­tre os modelos autorizados pela Agência. Resta saber se as operadoras vão fornecer algum recurso para quem possui aparelhos importados no país.

O vendedor finalizou a entrevista, avaliando que a venda já é difícil, e com a proibição o que fará com a mercadoria adquirida. “Isso aqui tudo me custou dinheiro. Não posso também enganar o consumidor. Se eles vêm aqui comprar com a gente é porque de certa forma confiam em nossa mercadoria. Fazemos o que podemos para agradar a cada um que vem aqui com­prar o bem desejado”, justifi­cou ele, que já tem banca no local há muitos anos.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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