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Incremento na produção de petróleo fomenta pesquisa e inovação

Publicado em 02/04/2014 Editoria: Economia sem comentários Comente! Imprimir


O crescimento na produção de petróleo no Brasil impulsiona também os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I). Nos próximos 10 anos, serão gerados mais de R$ 30 bilhões em investimentos obrigatórios na área, sendo que nos 16 anos anteriores o montante foi menos que um terço disto, R$ 8,4 bilhões. Carlos Frederico Rocha, professor do Instituto de Economia da UFRJ, especialista em temas associados à indústria do petróleo e gás, acredita em uma continuidade da trajetória de inovação da indústria brasileira. Para ele, o volume de investimento promete a atualização tecnológica do setor e a expansão da capacitação tecnológica das universidades. Benefícios que alcançarão não só os realizadores dos investimentos, mas a sociedade como um todo.

A obrigação de investimento em P,D&I contempla 1% da receita bruta das concessionárias que operam campos de grande produção e 0,5% no caso do contrato de cessão onerosa. O ano de 2020 deve registrar a maior obrigação de investimentos, com quase R$ 4 bilhões, contra R$ 1,2 bilhão do ano passado e R$ 1,4 bilhão deste ano.
Rocha explica que o investimento previsto na área faz parte da estratégia de regulação do setor. "Esse recurso aumenta com a produção. Como a gente vai aumentar a produção nos próximos anos, você tem um aumento potencial do investimento em pesquisa". Existe uma divisão de 50% desses recursos para a indústria e o restante para centros de pesquisa credenciados. O gasto em pesquisa básica, então, é bastante elevado no Brasil - a maior parte aplicada nas universidades.

O primeiro efeito desses aportes é a atualização da tecnologia, levando a uma continuidade da trajetória de inovação que caracteriza a indústria brasileira, aponta Rocha. A Petrobras é a que tem maior percentual de gastos em P,D&I entre as empresas. As atividades da estatal estão centralizadas no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro. Trata-se de um dos complexos de pesquisa aplicada mais importantes do mundo, com laboratórios avançados, salas de simulações e imersão em processos da indústria de energia.

A Petrobras também adotou um novo modelo de parceria tecnológica com universidades e institutos de pesquisa por meio de redes colaborativas. Essas parcerias incluem a criação de laboratórios de ponta, capacitação de pesquisadores e desenvolvimento de projetos. A expansão da capacitação tecnológica da universidade, inclusive, assim como o investimento na indústria, de acordo Rocha, beneficia não somente quem realiza a P&D, mas um grupo maior de entidades, em um movimento conhecido por externalidade positiva.

"Se o recurso for bem aplicado, haverá benefícios não só para quem realiza, mas para a sociedade como um todo, aprendendo e adquirindo conhecimento que vai ser absorvido não só pelas universidades, empresas, as pessoas também vão absorver e se beneficiar disso", destaca.

Desafios ainda existem, mas no caminho para serem solucionados. No caso da universidade, um impasse ainda é poder contar com um grupo de pesquisa capacitado para utilizar essa verba. A questão é formar grupos de pesquisa. Já se encaminha, contudo, um número muito maior de teses na área de petróleo e gás e também de engenheiros sendo formados, o que indica um horizonte mais promissor na pesquisa universitária.

Os números de investimento em P,D&I foram publicados em boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), como resultado das previsões de produção informadas pelas empresas operadoras à agência. O estudo inclui os campos que já estão produzindo, as áreas constantes no contrato de cessão onerosa e as áreas com previsão de produção pelo Plano de Avaliação.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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